“Antes como está escrito: Hão de vê-lo aqueles que não tiveram notícia dele, e compreendê-lo os que nada tinham ouvido a seu respeito”, (Romanos 15.21).

Com um sorriso estampado no rosto e um ar de empolgação, o nosso obreiro local, Pr. Huang, falou: “Lembra daquele irmão, deficiente, que desde a infância precisa usar cadeira de rodas e que atualmente organiza encontros entre seus amigos para compartilhar da Graça? Ele nos ajuda nas reuniões de nossa igreja quando eu não estou presente! Ele estudou teologia e se mostra um excelente líder!”

A notícia acima foi dada em meio a um dos nossos mais recentes encontros de acompanhamento e pastoreio com o Pr. Huang. Conversávamos sobre todos os cuidados que ainda precisamos ter quando organizamos os treinamentos, por conta das restrições em nosso campo, um país fechado ao Evangelho. Um dos cuidados é, como estrangeiros, aparecer menos e deixar que os locais tomem a frente das ações. Enfatizamos que o nosso objetivo não é protagonizar as atividades, treinamentos e ações, quer seja nas igrejas nas casas, treinamento de obreiros locais, discipulado ou ações evangelísticas. Nosso trabalho é estar ao lado dos obreiros locais como facilitadores e os suprir, na medida do possível, naquilo que carecem de recursos no tocante a conhecimento, experiência ou suporte financeiro. Por mais que amemos o país e não planejamos sair daqui tão cedo, um dia isso deve acontecer e, quando a hora chegar, a obra seguirá porque eles, os obreiros locais, seguirão levando a Palavra por aqui. Mais do que isso: eles mesmos ajudarão outros como os auxiliamos atualmente.

Ao discutir o assunto, ele deu um pequeno salto e lembrou do nosso irmão portador de deficiência e o usou como exemplo. O Pr. Huang explicou em detalhes: 

– Nosso irmão foi abandonado pela família na porta de uma delegacia, aqui na cidade. Como não acharam familiares, ele viveu em um orfanato, sem esperança de adoção. 

Após alguns anos no orfanato, uma missionária estrangeira, que o Pr. Huang não sabe detalhes de nome ou país de origem, chegou ao orfanato e passou a cuidar das crianças com necessidades especiais. À época, esse tipo de voluntariado era absolutamente raro, o que intrigava e incomodava até mesmo as pessoas que cuidavam do orfanato. Porém, a dedicação e o visível amor daquela mulher eram tão intensos que ela passou a atrair mais pessoas para servir àquelas crianças.

O Pr. Huang contou que a missionária foi praticamente a mãe do então menino. O tempo passou e a influência daquela mulher foi tamanha que, ao chegar à fase adulta, nosso irmão decidiu seguir os passos dela. Entrou em um seminário local para estudar Teologia e serviu, de diferentes formas, na igreja local. Hoje, ele lidera pessoas e compartilha da Graça com muitos dos seus amigos que, assim como ele, são portadores de deficiência.

Como você pode imaginar, ele compartilha a mensagem com eles de forma muito mais eficaz. Só em 2025, ele já liderou duas ações em que chamou vários desses amigos para atividades recreativas, e em meio às atividades ele sempre compartilha a Palavra de Deus com eles.

Pr. Huang gastou alguns minutos tentando lembrar da missionária, que há algum tempo não está entre nós, mas não conseguiu. Aproveitamos a situação para enfatizar que era melhor não lembrar mesmo, pois era um exemplo perfeito do que devemos almejar no trabalho missionário: servir a Deus, servindo pessoas de forma transformadora. E de tal modo que nosso nome seja esquecido, mas o exemplo seja lembrado e o nome de Jesus exaltado. Servir plantando a semente para germinar e dar frutos enquanto seguimos de olhos fixos no Senhor da seara!

Muito obrigado por nos acompanhar, e que a bondade, ousadia e alegria do Espírito sejam sobre você e sobre os seus!

ORE

  • Pelo nosso obreiro local, o Pr. Huang;
  • Por sabedoria e estratégias para anunciar o Evangelho no país fechado;
  • Pelo nosso irmão cadeirante, que seu testemunho alcance muitas vidas;
  • Pelo trabalho de capacitação de obreiros locais.

 

Ael e Bel Oliveira

Missionários no Leste da Ásia

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