Elas pelo Mundo - mulheres que oram, servem e tranformam
- Redação JMM
Elas pelo Mundo
O 2º domingo de março é o Dia de Oração por Missões Mundiais, data instituída pela Convenção Batista Brasileira para que igrejas se unam em intercessão pela obra missionária. Neste período, também celebramos o Dia Internacional da Mulher.
A proximidade das datas nos lembra de uma realidade: missões também têm rosto feminino. Ao parabenizar as mulheres, reconhecemos aquelas que ensinam, discipulam, oram, lideram e servem em diferentes contextos ao redor do mundo.
Hoje, a Junta de Missões Mundiais conta com 2.510 missionários atuando em 97 países. Em muitos desses lugares, mulheres estão na linha de frente, desenvolvendo projetos que anunciam o Evangelho e promovem cuidado, educação e restauração de vidas.
Um desses projetos é o PEPE – Programa de Educação Pré-Escolar, iniciativa socioeducativa que atende crianças de 4 a 6 anos, oferecendo educação, cuidado e ensino de valores cristãos. Na Mongólia, o início do PEPE já tem produzido histórias de transformação, como a de Ana.
Quando a coordenadora do programa apresentou o PEPE em sua igreja, ela se voluntariou para receber o treinamento de missionária educadora, mesmo com muito medo de não conseguir. Na infância, Ana sofreu um acidente com dióxido de carbono que deixou sequelas em sua perna e em um de seus braços, dificultando sua locomoção.
Após alguns meses de treinamento, ela assumiu uma turma e começou a ensinar as crianças com dedicação e amor. O impacto foi rápido: as crianças passaram a aprender de forma significativa e os pais começaram a agradecer pelo trabalho realizado. Alguns até pediram que ela abrisse atividades também para crianças mais velhas.
Hoje, Ana se sente feliz por servir como missionária educadora, impactando crianças, famílias e sua comunidade através do PEPE.
Histórias como essa também se repetem em outros lugares do mundo. No Peru, o PEPE também foi instrumento de transformação na vida de Gabriela Sandoval Muñoz.
Ela estava enfrentando problemas familiares e sem saber como lidar com as dificuldades do filho na escola. Em processo de divórcio, ela decidiu dar aula em casa para seu filho Gabriel; até que conheceu o projeto de Missões Mundiais através de uma missionária educadora.
Seu filho Gabriel passou a estudar no PEPE e, ao receber cuidado, atenção e ensino cristão, começou a apresentar mudanças significativas. Ao ver o amor dedicado ao filho, Gabriela também foi alcançada pelo Evangelho e decidiu entregar sua vida a Jesus.
Com o tempo, Deus restaurou sua família. Hoje, Gabriela e seu esposo servem ao Senhor no ministério pastoral, seus filhos participam da igreja e ela continua envolvida com o PEPE, reconhecendo o programa como uma ferramenta de Deus para transformar crianças e restaurar famílias.
Em outra região do mundo, através do Projeto Vítimas de Tráfico no Oriente Médio, missionárias atuam levando apoio espiritual e assistência a mulheres vítimas do tráfico humano. Entre o apoio prestado às vítimas, temos a história da Zoe, de Uganda.
Órfã desde criança, cresceu em meio à pobreza e aos maus-tratos de sua tia. Ela é mãe de dois filhos, um menino, fruto de um abuso, e uma menina que sofre com crises de asma.
Determinada a dar uma vida melhor às crianças, Zoe deixou seu país e viajou para o Oriente Médio em busca de trabalho. Como tantas outras mulheres de países da África e do Sudeste Asiático, acreditava que encontraria dignidade e sustento para a família como doméstica no Oriente Médio. Mas a realidade foi cruel. Foi explorada, não recebeu salário, perdeu o contato com os filhos e, por fim, foi acusada injustamente de roubo e acabou presa, sem sequer ser levada a julgamento.
Na prisão, Zoe disse: “Minha história de vida é muito triste, mas eu sou forte. Deus me dá forças e me ajuda a seguir em frente”. Nossa missionária chorou ao ouvir seu relato.
O ambiente onde Zoe está presa é marcado por injustiça e descaso. Muitas mulheres estrangeiras, principalmente vindas da África e da Ásia, que estão lá foram recrutadas por agências, com a promessa de trabalho digno, mas acabaram caindo nas mãos de patrões abusivos. Elas perderam a liberdade, a dignidade e até o direito de se comunicar com suas famílias. Quando tentam fugir, são acusadas falsamente de crimes que não cometeram e levadas à prisão, em um país em que elas não têm família ou amigos para as visitarem e sequer sabem falar o idioma local. Essa realidade revela a profundidade da opressão espiritual que enfrentamos.
Histórias como a de Zoe lembram que muitas mulheres ainda vivem em contextos de extrema vulnerabilidade. Por isso, a presença missionária se torna um sinal de cuidado, esperança e anúncio do amor de Cristo.
Histórias como as de Ana e Gabriela, nos mostram que quando há uma mão estendida e oportunidade, as mulheres podem se erguer e cumprir sua parte na Grande Comissão.
Diante dessas realidades, o convite neste mês é claro: ORE.
Ore pelas missionárias e voluntárias que servem em diferentes países. Ore pelas mulheres atendidas pelos projetos, para que encontrem cuidado, dignidade e nova vida em Cristo. Ore também para que mais pessoas se envolvam com a missão, sustentando a obra através da intercessão.
Neste segundo domingo de março, às igrejas batistas são convidadas a dedicar um tempo especial de oração e levantar a oferta do Dia de Missões Mundiais. É também uma oportunidade de lembrar das milhares de mulheres espalhadas que esperam para ouvir do evangelho.
Ao celebrarmos o Dia Internacional da Mulher e o Dia de Oração por Missões Mundiais reconhecemos e agradecemos a Deus pela vida das mulheres que servem na missão e que oram. E rogamos para que a Igreja brasileira continue sustentando, em oração, a obra missionária.